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Há 24 anos, Heathen Chemistry devolvia o Oasis ao caminho
Sexto disco da banda britânica marcou o início de uma nova fase e revelou Liam Gallagher como compositor.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 01/07/2026 08:30 • Atualizado 01/07/2026 08:36
Música
Heathen Chemistry vai muito além das estatísticas ou das venda (Foto: Divulgação)

Poucos álbuns do Oasis dividem tanto a opinião dos fãs quanto Heathen Chemistry. Lançado em 1º de julho de 2002, o sexto trabalho de estúdio da banda completa 24 anos nesta quarta-feira e permanece como um dos discos mais importantes e, ao mesmo tempo, mais subestimados da carreira dos irmãos Gallagher.


Depois do experimental Standing on the Shoulder of Giants (2000), Noel e Liam precisavam provar que o Oasis ainda era capaz de produzir grandes canções. A missão era difícil. A banda havia perdido dois integrantes históricos, Paul "Bonehead" Arthurs e Paul "Guigsy" McGuigan, e atravessava um período de instabilidade artística que colocava em dúvida sua permanência entre os gigantes do britpop.


Foi nesse contexto que surgiu Heathen Chemistry, um álbum menos ambicioso que seus antecessores, mas muito mais consciente de suas próprias qualidades.


O retorno às guitarras


Ao contrário do disco anterior, marcado por experimentações psicodélicas e sonoridades eletrônicas, Heathen Chemistry aposta em uma fórmula conhecida: guitarras em primeiro plano, refrões grandiosos e melodias que dialogam diretamente com a essência construída em Definitely Maybe e (What's the Story) Morning Glory?.


Não há aqui a urgência juvenil dos anos 1990 nem a pretensão de reinventar a banda. O Oasis simplesmente volta a fazer canções de rock direto, com forte apelo popular. 
 

Essa simplicidade acaba sendo uma das maiores virtudes do álbum.


Liam deixa de ser apenas o vocalista


Outra mudança importante acontece nos créditos das músicas.


Pela primeira vez, Noel Gallagher divide espaço de forma significativa com os demais integrantes. Gem Archer, Andy Bell e, principalmente, Liam Gallagher passam a contribuir como compositores.


É justamente Liam quem entrega uma das joias do disco.


"Songbird"
, inspirada em seu relacionamento com Nicole Appleton, revela um compositor surpreendentemente sensível. Curta, delicada e despretensiosa, tornou-se o primeiro single escrito pelo vocalista e mostrou que seu talento ia além da interpretação explosiva que o consagrou.



Foi o início de uma evolução que seria aprofundada nos discos seguintes.


Uma coleção de grandes canções


Embora seja frequentemente criticado por certa irregularidade, Heathen Chemistry reúne algumas das músicas mais fortes da fase madura do Oasis.


Logo na abertura, "The Hindu Times" recupera o peso dos riffs característicos da banda e transmite a sensação de renascimento.


Na sequência, surgem duas composições que atravessaram o tempo.


"Stop Crying Your Heart Out"
tornou-se uma das baladas definitivas do grupo, capaz de emocionar tanto em versões acústicas quanto em grandes estádios. É uma música que ultrapassou o universo do britpop para se transformar em um clássico do rock contemporâneo.


"Little By Little", interpretada por Noel Gallagher, exibe uma das melodias mais refinadas de sua carreira e reforça sua habilidade para construir hinos de esperança e superação.

Essas faixas, por si só, justificam a importância do disco.

Nem tudo funciona

Isso não significa que Heathen Chemistry seja perfeito.

Canções como "Hung in a Bad Place", "(Probably) All in the Mind" e "Better Man" dificilmente alcançam o mesmo nível das melhores composições do álbum.

Em alguns momentos, o disco transmite a impressão de ser uma reunião de boas músicas, mas sem a unidade artística que tornou clássicos trabalhos como Definitely Maybe ou Morning Glory.

Essa irregularidade explica por que parte da crítica recebeu o álbum com reservas em seu lançamento.

O disco que preparou a retomada

Com o passar dos anos, porém, a percepção sobre Heathen Chemistry mudou.

Hoje, muitos fãs o enxergam como o verdadeiro ponto de partida da segunda fase do Oasis. Foi nele que a banda recuperou a confiança, encontrou uma nova dinâmica criativa e abriu espaço para que outros integrantes contribuíssem de maneira efetiva.

Sem esse álbum, dificilmente haveria o elogiado Don't Believe the Truth (2005), considerado por muitos o melhor trabalho do grupo desde os anos 1990.

Talvez Heathen Chemistry nunca ocupe o mesmo pedestal dos dois primeiros discos do Oasis. Mas sua importância vai muito além das estatísticas ou das vendas.

Ele representa uma banda sobrevivendo às próprias crises, reencontrando sua identidade e provando que ainda havia muito a dizer.

Vinte e quatro anos depois, continua sendo um disco que merece ser redescoberto, não como uma obra-prima esquecida, mas como o álbum que recolocou o Oasis nos trilhos quando poucos ainda acreditavam que isso seria possível.

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