Guilherme Arantes completa 73 anos nesta terça-feira, 28 de julho, levando consigo uma obra que aprendeu a envelhecer sem pedir licença à nostalgia. Suas canções permanecem nas rádios, nas novelas e na memória coletiva porque foram construídas com rara precisão. São melodias expansivas, harmonias sofisticadas e versos capazes de transformar inquietações íntimas em refrões populares.
Desde os tempos do Moto Perpétuo até a consolidação da carreira solo, o músico tratou o piano e os sintetizadores como ferramentas de invenção. “Meu Mundo e Nada Mais”, “Planeta Água”, “Cheia de Charme”, “Amanhã” e “Um Dia, um Adeus” revelam um compositor que aproximou o rock progressivo, a MPB e o pop sem parecer deslocado em nenhum desses territórios.
Existe melancolia em Guilherme Arantes, mas ela nunca fica parada. Suas músicas observam o tempo, os desencontros, a natureza e os afetos com uma espécie de esperança teimosa. Mesmo quando fala sobre perdas, o compositor encontra uma porta entreaberta, alguma possibilidade de recomeço escondida depois do último acorde.
Aos 73 anos, Guilherme permanece como um caso singular na música brasileira. Popular sem simplificar sua escrita, sofisticado sem transformar técnica em distância. Sua discografia é uma cidade iluminada durante a madrugada, dessas que parecem silenciosas até alguém apertar o play.