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João Bosco celebra 80 anos entre afetos, parceiros e canções
“Amigos Novos e Antigos” revisita cinco décadas de uma obra inquieta em encontros com vários convidados.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 03/08/2026 13:13 • Atualizado 03/08/2026 13:13
Música
João Bosco lançou a primeira parte do álbum “Amigos Novos e Antigos” (Foto: Victor Correa)

João Bosco atravessa os 80 anos sem transformar a própria história em peça de museu. Ainda inquieto, preciso ao violão e disposto a oferecer novos contornos ao repertório, o compositor mineiro lançou na sexta-feira (31) a primeira parte de “Amigos Novos e Antigos”, álbum comemorativo que reúne artistas de diferentes gerações.

Disponibilizada pela Som Livre, a etapa inicial apresenta seis faixas. O projeto completo será duplo, terá 17 músicas e chegará às plataformas digitais em 25 de setembro.


O nome do disco vem de uma composição feita por João Bosco com Aldir Blanc e traduz a proposta do trabalho: colocar memória e presente à mesma mesa. Em vez de organizar uma simples coleção de sucessos, o artista reabre suas canções para novas conversas, preservando a essência enquanto permite que outros intérpretes e instrumentistas mudem a luz sobre elas.


Encontros entre gerações


Zeca Pagodinho divide os vocais com João Bosco em “Siri Recheado e o Cacete”, composição lançada originalmente no álbum “Bandalhismo”, de 1980. Mart’nália participa de “Kid Cavaquinho”, enquanto Tiago Iorc canta “Perfeição”, parceria de João com o filho Francisco Bosco.

César Camargo Mariano assume os teclados em “Casa de Marimbondo”, e Hamilton de Holanda leva seu bandolim para “Nação”. Entre as seis faixas, apenas “Boca de Sapo” aparece sem participação especial.


A direção artística é compartilhada por João Bosco e sua filha, Julia Bosco. O cantor também assina a produção musical e os arranjos ao lado de Rafael Rocha, responsável ainda pelos trabalhos de metais e cordas.


As novas gravações percorrem diferentes territórios da obra do compositor: o samba de construção sofisticada, a pulsação afro-brasileira, a observação da vida urbana e a liberdade harmônica herdada do jazz. São músicas conhecidas, mas não acomodadas.


“Essas músicas nunca foram minhas apenas. Desde que nasceram, passaram a pertencer às pessoas”, afirma João Bosco. Para ele, as canções retornam ao disco carregadas pelas experiências de quem as ouviu, cantou e incorporou à própria vida.

Aldir Blanc permanece no centro da obra


A presença de Aldir Blanc atravessa o álbum. Quatro das seis músicas da primeira parte foram escritas pela dupla, responsável por uma das parcerias mais férteis da canção brasileira.


Aldir reaparece como voz permanente na arquitetura musical de João Bosco. Suas letras continuam dando forma aos personagens, às ironias e aos conflitos de um Brasil que mudou de aparência, mas ainda reconhece muito de si naquelas composições.


O projeto também evoca Elis Regina, intérprete decisiva para que várias canções da dupla alcançassem o grande público. Retornar a esse repertório é, inevitavelmente, reencontrar a artista que ajudou a projetar João Bosco como um dos principais compositores de sua geração.


Disco também chegará aos palcos


A comemoração será ampliada por uma turnê nacional. João Bosco tem apresentações confirmadas em Belo Horizonte, no dia 6 de agosto; Maceió, em 12 de setembro; Rio de Janeiro, em 2 de outubro; São Paulo, em 9 de outubro; Porto Alegre, em 15 de outubro; e Curitiba, no dia 16.

 
Aos 80, João Bosco não parece interessado em fechar ciclos. “Amigos Novos e Antigos” prefere abrir janelas: para os parceiros que ficaram, para aqueles que chegaram depois e para canções que continuam encontrando maneiras de escapar do passado.

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