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“Imagine”, 55 anos depois: o sonho e as contradições de Lennon
Álbum transformou utopia, ressentimento e confissão em uma obra central do pós-Beatles
Por Redação Rádio VB
Publicado em 09/09/2026 06:00
Música
Imagine foi lançado em 9 de setembro de 1971 nos Estados Unidos (Foto: Divulgação)

“Imagine” costuma ser lembrado pela serenidade de sua faixa-título, mas o disco está longe de viver apenas de paz. John Lennon aparece dividido entre o homem que sonhava com um mundo sem fronteiras e aquele que ainda carregava as feridas dos Beatles, as disputas políticas e os conflitos de sua vida particular. A delicadeza do piano convive com guitarras cortantes e palavras nem sempre dispostas à conciliação.

Produzido por Lennon, Yoko Ono e Phil Spector, o álbum encontrou uma sonoridade mais acessível do que a crueza de “John Lennon/Plastic Ono Band”. Canções como “Jealous Guy” e “Oh My Love” expõem fragilidade sem perder a elegância, enquanto “Gimme Some Truth” ataca a hipocrisia política com impaciência. Em “How Do You Sleep?”, o alvo é Paul McCartney, num acerto de contas amargo que o tempo tornou ainda mais desconfortável.

A faixa “Imagine” cresceu para além do próprio autor. Sua utopia simples foi adotada em cerimônias, protestos e momentos de luto, muitas vezes separada das provocações políticas contidas na letra. Lennon não oferecia exatamente um programa de governo, ele propunha um exercício radical de imaginação, pedindo ao ouvinte que retirasse, por alguns minutos, as estruturas usadas para dividir a humanidade.


Cinquenta e cinco anos depois, o disco permanece impactante porque não resolve as contradições de Lennon. O pacifista também sabia ferir, o milionário imaginava um mundo sem posses e o astro em busca de liberdade continuava preso às próprias mágoas. “Imagine” não é o retrato de um santo, mas de um homem tentando escrever uma saída para os labirintos que ele mesmo ajudou a construir.

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