Billy Idol completa 70 anos neste domingo, 30 de novembro, e há algo quase poético, ou debochado, nesse número redondo para alguém que fez carreira sendo a antítese da ordem.
Idol nasceu William Albert Michael Broad, mas desde cedo entendeu que nomes comportados não movem gerações. Foi na Londres punk do fim dos anos 70, como vocal do Generation X, que ele moldou seu primeiro terremoto. Era um garoto loiro de expressão insolente que cantava como quem acendia fósforos em um barril de gasolina.
O tempo, porém, não domesticou Billy, apenas o deslocou de cenário. Nos anos 80, enquanto muitos punks se espalhavam, ele reinventou o estilo. Injetou synths no rock, fez do pop um campo elétrico e transformou sua própria imagem em fetiche cultural. White Wedding, Rebel Yell, Eyes Without a Face são três músicas que, até hoje, soam como um corredor de neon, noites longas demais, romances curtos demais e uma estética que pendulava entre a sedução e o caos.
Chegar aos 70 para Billy Idol não é um gesto de maturidade, é quase uma piada cósmica. Ele segue no palco como sempre esteve, meio androide, meio cowboy pós-moderno, com o mesmo esgar clássico, como se desafiasse o relógio a provar que o tempo realmente passa.
Idol envelheceu como deveriam envelhecer as lendas: sem nostalgia piegas, sem virar caricatura, apenas continuando a fazer aquilo que sempre fez, que é eletrificar o mundo com um sorriso torto e um riff que nunca se entrega.
Num universo onde tantos ícones se dissolvem, Billy Idol permanece. É uma chama branca teimando em não apagar.