Quando se fala em Hoobastank, é quase inevitável que a memória coletiva aponte diretamente para The Reason. Lançada em 2003, a canção atravessou fronteiras, estilos e públicos, tornando-se uma espécie de trilha sonora universal da culpa, do arrependimento e da reconciliação emocional dos anos 2000. O problema, se é que pode ser chamado assim, é que seu sucesso foi tão absoluto que acabou reescrevendo a narrativa da própria banda.
Musicalmente, o Hoobastank nunca foi um projeto de uma música só. Antes e depois de “The Reason”, o grupo construiu uma discografia sólida dentro do rock alternativo e do post-grunge, com faixas que tiveram forte presença em rádios especializadas e boa recepção entre fãs do gênero. No entanto, nenhuma delas alcançou o mesmo impacto simbólico e comercial do grande hit. “The Reason” extrapolou o circuito do rock, invadiu o pop, o cinema, a publicidade e a cultura sentimental de uma geração inteira, algo que raramente acontece sem consequências para quem a criou.
A partir daí, formou-se um fenômeno curioso: o Hoobastank passou a existir, para grande parte do público, como sinônimo de uma única canção. Não por falta de qualidade ou continuidade artística, mas porque o mercado e a memória afetiva são seletivos. Em um período de transição da indústria musical, quando o rock alternativo começava a perder espaço para outras linguagens, a banda ficou marcada por um momento específico, cristalizado em poucos acordes e versos que ainda hoje despertam identificação imediata.
Chamar o Hoobastank de one hit wonder é, portanto, mais um rótulo cultural do que uma definição justa. Trata-se de um caso em que o hit foi grande demais, emocional demais e onipresente demais para permitir qualquer comparação interna. “The Reason” não apagou o resto da obra, mas a colocou permanentemente à sua sombra, e talvez esse seja o preço inevitável de criar uma música que o tempo se recusa a esquecer.
Abaixo, veja o videoclipe de "Crawling In The Dark", um dos hits do Hoobastank meio que ofuscados por “The Reason”.