Quatro anos após seu último lançamento, Marina Lima anunciou oficialmente Ópera Grunkie, seu 18º álbum de estúdio, com estreia marcada para 24 de março. O disco chega carregado de significados: é o primeiro trabalho da artista após a morte do irmão e parceiro criativo Antonio Cicero, falecido em 2024, e funciona também como uma celebração pelos seus 70 anos, completados em setembro de 2025.
Longe de soar como um projeto retrospectivo, Ópera Grunkie aponta para frente. O álbum reafirma a vitalidade artística de Marina e sua recusa em se acomodar. A apresentação oficial do disco começa com o single “Olívia”, que será lançado à meia-noite do dia 27 de janeiro nas plataformas digitais. A faixa tem produção assinada pela própria cantora, em parceria com Arthur Kunz, do Strobo, e Renato Gonçalves, reforçando o caráter autoral e experimental do projeto.
O título do álbum nasce de um termo criado pela própria Marina para definir sua comunidade afetiva de fãs: os “grunkies”. A expressão ganhou força popular após o documentário Uma Garota Chamada Marina (2019), de Candé Salles. Os grunkies são descritos como pessoas livres, criativas e destemidas, valores que atravessam toda a trajetória da artista e agora dão nome ao novo trabalho.
Musicalmente, Ópera Grunkie vai apostar no diálogo entre gerações. O disco traz participações de Ana Frango Elétrico, Laura Diaz, do Teto Preto, além do produtor Edu Martins, colaborador antigo de Marina em álbuns como Setembro (2001) e Clímax (2011). Outros nomes ainda devem ser revelados até a estreia do disco.
Desde Simples Como Fogo (1979), quando se tornou a primeira mulher contratada pela Warner Music no Brasil, Marina Lima construiu uma obra que atravessa décadas sem perder relevância. Canções como “Fullgás”, “À Francesa”, “Virgem” e “Pra Começar” ajudaram a moldar o pop brasileiro dos anos 1980, mas sua trajetória sempre foi marcada pela reinvenção.
Em Ópera Grunkie, Marina não pretende revisitar o passado, mas incorporá-lo, ressignificá-lo e transformá-lo em impulso criativo. Um disco que nasce do afeto, do luto e da coragem de continuar dizendo algo novo, mesmo depois de tudo.