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Música da noite: menos acordes, mais pele
Prince transforma Kiss em minimalismo sujo, desejo explícito e funk sem permissão.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 31/01/2026 19:37 • Atualizado 31/01/2026 19:37
Música
Kiss flerta com o erótico sem jamais ser óbvia (Foto: Reprodução)

“Kiss” soa como um desafio jogado no meio da pista. Poucos acordes, nenhuma firula, só tensão, suor e provocação. Prince desmonta o funk até o osso, deixa o espaço respirar e transforma o silêncio em arma. A guitarra estala seca, a batida é econômica, e tudo gira em torno da voz aguda, maliciosa, confiante demais para pedir licença.

A música flerta com o erótico sem jamais ser óbvia. Não há romantização, só jogo de poder, ironia e uma sensualidade que nasce da atitude, não do excesso. Prince canta como quem sorri de canto de boca, sabendo exatamente o efeito que causa. Cada pausa parece pensada para provocar mais do que qualquer refrão grandioso.

Quase quatro décadas depois, “Kiss” segue intacta, moderna e insolente. É funk filtrado pelo punk, pop que não se curva, dança que não precisa de permissão. Um lembrete de que menos pode ser infinitamente mais, especialmente quando quem segura o microfone sabe muito bem o que está fazendo.

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