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Quando o rock decidiu mudar de pele, de nome e de destino
Entre nascimentos, despedidas e discos definitivos, 1º de fevereiro costura décadas de rebeldia, invenção e ruído essencial.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 01/02/2026 06:00
Música
O dia 1º de fevereiro prova que o rock não avança em linha reta (Foto: Reprodução IA)

O rock nunca respeitou o calendário, mas há dias em que ele parece concentrar tudo. 1º de fevereiro é um desses pontos de convergência onde histórias se cruzam, guitarras ganham novos sentidos e decisões aparentemente pequenas acabam moldando gerações inteiras.

Em 1964, John Entwistle teve um lampejo simples e definitivo: chamar sua banda de The Who. O nome curto, direto e quase provocativo parecia um erro, e por isso mesmo funcionou. No mesmo ano, The Beatles alcançavam o topo das paradas americanas de singles, enquanto, em 1965, um compacto duplo consolidava a invasão britânica como fato histórico irreversível.


Em 1º de fevereiro de 1967, os The Beatles entraram em estúdio para gravar a faixa-título de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Aquele momento selava a transformação definitiva da banda, o abandono do formato tradicional do rock de palco para a criação de um universo conceitual, psicodélico e experimental. Nascia a ideia de que um álbum poderia ser uma obra fechada, com identidade própria, personagens, estética e narrativa. Um divisor de águas que redefiniu os limites criativos da música popular.


          Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi um marco dos Beatles (Foto: Divulgação)

 
Do outro lado do Atlântico, o rock também escrevia seus capítulos de maturidade. Em 1972, Chuck Berry chegava ao primeiro lugar das paradas britânicas. Um reconhecimento tardio, porém simbólico, para quem praticamente desenhou o DNA do gênero. Dois anos depois, em 1974, Raul Seixas lançava Gita, um disco que transformou misticismo, contracultura e rock em manifesto brasileiro definitivo. Não era só música, era filosofia elétrica.

O fim dos anos 1970 também deixou marcas profundas. Em 1979, a The Allman Brothers Band lançava Enlightened Rogues, um retorno carregado de cicatrizes, mas ainda fiel ao espírito sulista e improvisado. Já em 1983, Eric Clapton apostava em Money and Cigarettes, um disco cru, sem excessos, quase como um acerto de contas com a própria sobriedade e com o blues que nunca o abandonou.


Nem só de lançamentos vive a data. Em 1988, o The Cars anunciava o fim de suas atividades após 12 anos, encerrando um capítulo essencial do rock radiofônico e da new wave norte-americana. Às vezes, o silêncio também faz parte da história.


A música "Drive" foi um dos grandes hits da banda. Veja o videoclipe abaio:



O dia 1º de fevereiro também marca chegadas ao mundo. Em 1950, nascia Richard Williams, guitarrista do Kansas, ajudando a definir a sonoridade progressiva que cruzou o rock com ambições quase sinfônicas. Em 1968, vinha ao mundo Lisa Marie Presley, herdeira direta de um sobrenome que nunca permitiu anonimato.

E então há os terremotos geracionais. Em 1994, o Green Day lançava Dookie, um disco que levou o punk de volta ao centro do mercado sem perder urgência, ironia e suor adolescente. Era o underground batendo na porta da cultura pop, e sendo atendido.

Por fim, 1º de fevereiro também carrega luto e memória. Em 2022, morria Jon Zazula, fundador da Megaforce Records, selo que apostou quando ninguém mais apostava e ajudou a lançar parte fundamental do metal dos anos 1980. Sem ele, muito material teria ficado no porão.

No fim das contas, 1º de fevereiro prova que o rock não avança em linha reta. Ele nasce, acaba, se reinventa, muda de nome, perde heróis e cria outros. E segue, sempre, fazendo barulho suficiente para atravessar décadas.

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