No dia 14 de fevereiro de 1978, enquanto o punk ainda cuspia rebeldia nas esquinas britânicas e a disco music dominava as pistas, quatro músicos entravam em um estúdio na cidade de Londres para registrar canções que pareciam caminhar na contramão das tendências. Era o início das gravações de Dire Straits, o disco que apresentaria ao mundo uma sonoridade limpa, narrativa e absolutamente distinta do ruído da época.
O álbum de estreia do Dire Straits não precisou de pirotecnia. Bastaram a guitarra econômica e precisa de Mark Knopfler, a cadência quase fleumática da banda e letras que mais contavam histórias do que buscavam refrões fáceis.
Quando “Sultans of Swing” começou a tocar nas rádios, algo diferente se insinuava no ar. Era um rock mais contido, sofisticado e impregnado de blues, que falava de personagens anônimos e noites comuns com lirismo cinematográfico.
Há 47 anos, aquelas sessões em Londres consolidavam uma estética que atravessaria décadas. O Dire Straits mostrou que era possível ser clássico sem soar antiquado, técnico sem ser exibicionista e popular sem se render ao óbvio.
O que começou como gravação de estreia tornou-se ponto de partida para uma das trajetórias mais elegantes do rock britânico. Uma história que ainda reverbera nas guitarras que preferem falar baixo para serem ouvidas melhor.