Trinta e cinco anos após o lançamento de O Silêncio dos Inocentes, integrantes centrais da produção revisitam o impacto cultural do filme e também suas controvérsias. O ator Ted Levine e o produtor Edward Saxon afirmaram, em entrevista recente à revista The Hollywood Reporter, que hoje enxergam com mais cautela a construção do personagem Buffalo Bill, antagonista da trama dirigida por Jonathan Demme.
Baseado no romance de Thomas Harris, o longa acompanha a jovem agente do FBI interpretada por Jodie Foster, que busca a ajuda do icônico Hannibal Lecter, vivido por Anthony Hopkins, para capturar o serial killer conhecido como Buffalo Bill, criminoso que assassinava mulheres e removia a pele de suas vítimas. O filme tornou-se um fenômeno nos anos 1990 e entrou para a história ao conquistar os cinco principais prêmios do Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.
Levine declarou que, à luz das discussões contemporâneas sobre identidade de gênero, reconhece que certos elementos do roteiro “não envelheceram bem”. Segundo ele, embora tenha construído Buffalo Bill como um homem heterossexual profundamente perturbado, e não como um personagem gay ou trans, há diálogos e escolhas narrativas que hoje soam problemáticos.
Já Saxon afirmou que a equipe buscou fidelidade ao livro e via o vilão como uma figura patológica, dissociada de qualquer representação legítima de orientação sexual ou identidade de gênero. Ainda assim, o produtor admite que faltou maior sensibilidade quanto ao impacto que determinados estereótipos poderiam gerar. “Há arrependimento, mas não partiu de má intenção”, afirmou.
Clássico absoluto do suspense psicológico, o filme permanece como referência estética e narrativa do gênero, ao mesmo tempo em que segue sendo revisitado sob novas lentes críticas.
Atualmente, a produção está disponível em plataformas como Netflix, MGM+ e Mubi.