Entre as dezenas de hinos que marcaram sua trajetória, seria natural imaginar que Bruce Springsteen escolheria algo de suas influências mais óbvias, como Bob Dylan, The Beatles ou Chuck Berry, ao ser perguntado sobre qual música ouviria pelo resto da vida. Mas a resposta foi outra.
Durante participação no programa The Late Show with Stephen Colbert, em 2021, o artista foi direto ao ponto: sua escolha seria “Summer Wind”, na versão eternizada por Frank Sinatra.
A canção, originalmente composta na Alemanha em 1965 por Heinz Meier, ganhou projeção internacional quando Sinatra a incluiu no álbum Strangers in the Night, lançado em 1966. O single alcançou o 25º lugar na Billboard Hot 100 e se tornou um dos registros mais elegantes do repertório do cantor.
Springsteen revelou que conheceu a música ainda na infância, por influência da mãe. Segundo ele, foi ali que percebeu algo especial na voz de Sinatra. Uma mistura de charme, intensidade e melancolia. Para The Boss, por trás da imagem sofisticada associada ao cantor, existia uma tristeza profunda, quase noturna, que falava de homens à deriva e de destinos incertos.
A escolha revela muito sobre o próprio Springsteen. Embora seja um ícone do rock de arena, sua sensibilidade sempre esteve ligada a narrativas de solidão, estrada e personagens à margem, elementos que também ecoam na interpretação carregada de emoção de Sinatra em “Summer Wind”.