Para quem pretende atravessar a noite deste sábado na companhia de um suspense sombrio, “O Homem que Sussurra” é a novidade da vez na Netflix. Inspirado no romance de Alex North, o filme investe em crianças desaparecidas, antigas feridas familiares e na presença inquietante de um assassino que parece continuar agindo mesmo atrás das grades.
Adam Scott interpreta Tom Kennedy, escritor de romances policiais que tenta reconstruir a vida após a morte da esposa. O frágil equilíbrio familiar desmorona quando seu filho de oito anos é sequestrado. Sem alternativas, Tom procura o pai, Pete, um detetive aposentado vivido por Robert De Niro, responsável pela prisão de um serial killer conhecido como Homem que Sussurra.
O novo crime apresenta semelhanças com os assassinatos do passado e coloca pai e filho diante de uma relação marcada por ressentimentos. Enquanto a investigação avança, a trama mistura procedimento policial, drama familiar e leves elementos sobrenaturais. Michelle Monaghan completa o núcleo principal, enquanto Michael Keaton encontra no criminoso Frank Carter um papel feito de silêncios, olhares e ameaça contida.
Dirigido por James Ashcroft, o longa recupera a atmosfera dos thrillers policiais dos anos 1990, com cidades acinzentadas, casas cheias de sombras e pistas espalhadas por corredores pouco convidativos. As referências a “O Silêncio dos Inocentes” e “Seven” são evidentes, embora o resultado não alcance a mesma tensão nem a força psicológica desses clássicos.
O roteiro também tenta abraçar ideias demais e nem sempre oferece tempo para desenvolvê-las. Alguns caminhos são previsvisíveis, a investigação avança de maneira apressada e um elenco tão expressivo merecia personagens mais densos. Em compensação, a relação entre três gerações de uma família ferida acrescenta alguma humanidade ao quebra-cabeça criminal.
“O Homem que Sussurra” não reinventa o gênero nem promete permanecer na memória depois dos créditos. Ainda assim, entrega mistério, clima sinistro e rostos conhecidos em uma sessão direta e acessível. É uma boa escolha para apagar as luzes, preparar a pipoca e encarar a noite de sábado sem exigir uma obra-prima, apenas algumas horas de tensão bem administrada.
Disponível na Netflix.
Classificação indicativa: 16 anos.