O cinema maranhense abre uma janela para o espaço e encontra plateia do outro lado do Atlântico. O curta-metragem “Defesa Pura”, escrito e dirigido por George Pedrosa, terá sua estreia internacional no MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, em Portugal.
Produzido pela Kasarão Filmes, o filme será exibido na segunda-feira, 7 de setembro, às 13h, no Cinema São Jorge. A obra integra a SectionX, segmento do festival dedicado a experiências menos convencionais dentro do cinema de gênero. O MOTELX ocorre de 3 a 13 de setembro na capital portuguesa.
Antes da viagem internacional, “Defesa Pura” fará sua estreia brasileira na 17ª edição do CineFantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico, realizado de 1º a 6 de setembro, em São Paulo. O curta aparece na mostra competitiva de ficção científica ao lado de produções de diferentes países.
Amor à beira do colapso
Com 22 minutos de duração, o filme acompanha Ayla e Cibelle, interpretadas por Ayla Gabriela e Cibelle Rodricco. As duas deixam a Terra em busca de silêncio, mas encontram uma nave espacial defeituosa e uma relação pressionada pela proximidade da destruição.
Nesse ambiente claustrofóbico, o perigo não vem apenas da estrutura prestes a entrar em colapso. A agressividade que as personagens tentaram abandonar continua presente, transformando a viagem em confronto íntimo entre amor, desejo, medo e sobrevivência.
George Pedrosa define o curta como um “pesadelo romântico sensorial”. Em vez de conduzir a história por uma narrativa linear, o diretor privilegia sons, imagens e atmosferas para produzir uma experiência de desconforto e tensão.
Corpos trans no centro da ficção científica
“Defesa Pura” também desloca pessoas trans para o centro de gêneros nos quais esses corpos ainda aparecem pouco. As protagonistas não ocupam papéis laterais nem são tratadas apenas a partir da identidade: elas conduzem um romance de ficção científica marcado por contradições e impulsos destrutivos.
Segundo Pedrosa, o filme procura ampliar os imaginários reservados a personagens trans no audiovisual. “Foge dos moldes clássicos e coloca pessoas trans no centro de uma narrativa de ficção científica e horror”, afirma o diretor.
A passagem pelo CineFantasy e pelo MOTELX insere o curta maranhense em dois importantes espaços dedicados ao fantástico. Mais que uma mudança geográfica, o circuito oferece ao filme a possibilidade de dialogar com plateias habituadas a obras que atravessam as fronteiras entre horror, drama, romance e experimentação.
A produção executiva é de Josh Baconi, com produção de Gabriel Marques e Samia Oliveira. Ruy Castro e Gabriel Bruno assinam a direção de fotografia, enquanto a direção de arte ficou sob responsabilidade de Jacksciene Guedes e Felipe Spooka.