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A verdadeira inspiração por trás de “Exagerado”, hit de Cazuza
Revelação de Leoni aponta Ezequiel Neves como figura central da canção que virou manifesto dos anos 80.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 01/02/2026 17:50 • Atualizado 01/02/2026 17:51
Música
Ezequiel Neves e Cazuza tieram uma relação de amizade intensa nos anos 80 (Foto: Divulgação)

Poucas músicas da canção brasileira carregam uma aura tão autobiográfica quanto Exagerado. Durante décadas, o público assumiu que a letra era um espelho direto de Cazuza, intenso, passional, excessivo. Mas a história por trás do clássico revela um desvio curioso e revelador sobre quem realmente inspirou aquele “amor inventado”.


Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, Leoni contou que ouviu do próprio Cazuza a origem da canção enquanto trabalhavam juntos. O “exagerado” da letra seria Ezequiel Neves, produtor, jornalista e mentor artístico do cantor. Frases emblemáticas, como “te trago mil rosas roubadas”, teriam sido pescadas diretamente do vocabulário e do comportamento de Ezequiel, conhecido por viver no limite. Leoni relembra até um episódio em Los Angeles, em que Iggy Pop teria pedido calma ao produtor brasileiro, tamanha a intensidade do personagem.


A revelação joga nova luz sobre a música e ajuda a entender a dinâmica criativa que cercava Cazuza. Ezequiel Neves, falecido aos 74 anos, em 2010, além de produtor, foi bússola, provocador e cúmplice artístico. Jornalista da primeira fase da Rolling Stone Brasil nos anos 1970, sob o pseudônimo Zeca Jagger, Ezequiel migrou para a indústria fonográfica e teve papel decisivo na formação do Barão Vermelho, produzindo o álbum de estreia da banda e acompanhando Cazuza até o fim de sua carreira solo.


Essa relação voltou aos holofotes recentemente com a exposição Cazuza Exagerado, que percorre a obra e a personalidade do artista, e também com o filme Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves, exibido no Festival do Rio de 2025. A produção mistura documentário e ficção para retratar um personagem tão intenso quanto as músicas que ajudou a criar.

No fim, “Exagerado” talvez seja menos um autorretrato literal e mais um jogo de espelhos. Cazuza cantando Ezequiel, Ezequiel potencializando Cazuza, dois excessos que se encontraram para criar um dos hinos definitivos do rock brasileiro.

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