Em entrevista ao O Estado de S. Paulo, Leoni contou que ouviu do próprio Cazuza a origem da canção enquanto trabalhavam juntos. O “exagerado” da letra seria Ezequiel Neves, produtor, jornalista e mentor artístico do cantor. Frases emblemáticas, como “te trago mil rosas roubadas”, teriam sido pescadas diretamente do vocabulário e do comportamento de Ezequiel, conhecido por viver no limite. Leoni relembra até um episódio em Los Angeles, em que Iggy Pop teria pedido calma ao produtor brasileiro, tamanha a intensidade do personagem.
A revelação joga nova luz sobre a música e ajuda a entender a dinâmica criativa que cercava Cazuza. Ezequiel Neves, falecido aos 74 anos, em 2010, além de produtor, foi bússola, provocador e cúmplice artístico. Jornalista da primeira fase da Rolling Stone Brasil nos anos 1970, sob o pseudônimo Zeca Jagger, Ezequiel migrou para a indústria fonográfica e teve papel decisivo na formação do Barão Vermelho, produzindo o álbum de estreia da banda e acompanhando Cazuza até o fim de sua carreira solo.
Essa relação voltou aos holofotes recentemente com a exposição Cazuza Exagerado, que percorre a obra e a personalidade do artista, e também com o filme Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves, exibido no Festival do Rio de 2025. A produção mistura documentário e ficção para retratar um personagem tão intenso quanto as músicas que ajudou a criar.
No fim, “Exagerado” talvez seja menos um autorretrato literal e mais um jogo de espelhos. Cazuza cantando Ezequiel, Ezequiel potencializando Cazuza, dois excessos que se encontraram para criar um dos hinos definitivos do rock brasileiro.