O curta-metragem maranhense “Ainda Te Amo” recebeu conquistou o prêmio de Melhor Direção de Arte na 13ª edição do Festival de Cinema de Caruaru, em Pernambuco. O reconhecimento ao trabalho assinado por Patrícia Moreira foi anunciado nessa terça-feira (1º), pelos canais oficiais do evento.
Produzido pela Rodapé Filmes e dirigido por Fernando Braga, o filme disputou a Mostra Brasil, dedicada a obras de temática livre realizadas em diferentes estados e no Distrito Federal. A seleção reuniu produções ambientadas no país e conduzidas por cineastas brasileiros.
Ao todo, o festival apresentou 39 curtas-metragens do Brasil e de países como Argentina, Chile, Colômbia, Peru e República Dominicana. As sessões gratuitas ocorreram no Teatro João Lyra Filho, acompanhadas de debates e da cerimônia de entrega do Troféu José Condé.
Entre Mário e Keitty
“Ainda Te Amo” acompanha Mário, um homem atravessado pela ausência e pelo abandono materno. Na criação de Keitty, sua personagem drag queen, ele encontra uma possibilidade de reorganizar lembranças, afetos e a própria identidade.
Fernando Braga também assina o roteiro e interpreta o protagonista. A escolha do universo drag, segundo o realizador, ultrapassa o aspecto visual da transformação. Keitty surge como parte de um processo emocional vivido por Mário, e não como uma identidade criada para substituí-lo.
Essa ligação orientou a construção física e comportamental dos personagens. Mesmo durante a transformação, determinados gestos e características de Mário permanecem visíveis, reforçando a ideia de continuidade entre as duas figuras.
“A intenção nunca foi fazer com que Keitty apagasse Mário. Pelo contrário. Mesmo durante a transformação, preservamos traços físicos e comportamentais que mantêm a essência dele presente”, explicou Fernando.
Direção de arte amplia sentido da narrativa
Premiada em Caruaru, a direção de arte ocupa uma função central na maneira como o filme apresenta a passagem entre memória, abandono e reconstrução. Cenários, figurinos, objetos e composição visual ajudam a revelar aspectos do protagonista que nem sempre aparecem nos diálogos.
Ao recorrer à estética drag, o curta evita reduzir Keitty à performance. A personagem funciona como desdobramento das experiências de Mário e como um caminho para discutir pertencimento, amor e sobrevivência emocional.
“O filme fala sobre identidade, afeto, pertencimento e cura”, definiu o diretor.
Produção maranhense circula pelo país
A conquista amplia a presença de “Ainda Te Amo” no circuito de festivais e dá projeção ao trabalho desenvolvido pela equipe maranhense. Para Fernando Braga, o resultado também evidencia o amadurecimento da produção audiovisual realizada no estado.
Na avaliação do cineasta, a circulação de obras locais ajuda a consolidar profissionais, estimular novas realizações e apresentar ao público narrativas construídas a partir de experiências e referências do Maranhão.
Com o prêmio conquistado em Pernambuco, “Ainda Te Amo” encontra reconhecimento justamente em uma categoria ligada à sua proposta narrativa: fazer da imagem, da transformação e dos espaços ocupados por Mário e Keitty elementos fundamentais da história.